Uma introdução à família Portra

Adoramos uma boa festa e, quando soubemos que a linha Portra está prestes a celebrar o seu vigésimo aniversário no próximo ano (lançada em 1998!), achámos que era uma boa altura para abordar o tema (e, depois, talvez brindar) no que toca à linha Portra da Kodak. A Kodak Portra lançou uma variedade de emulsões desta linha, algumas das quais foram descontinuado, mas três delas são hoje um clássico para fotógrafos de filme como nós, na Carmencita, e tu. Vamos explorar um pouco essas três que levam a taça no que toca à linha Portra da Kodak: Portra 160, Portra 400 e Portra 800 ISO.

 

Família Portra

 

Como a maioria de vocês talvez saiba, a super famosa Kodak Portra é uma família de filme negativo a cores profissional, equilibrado para luz do dia, pensado para reproduzir os melhores tons de pele possíveis em praticamente qualquer situação de luz que possas imaginar, tornando-o perfeito tanto para retrato como para fotografia social. Estes filmes são conhecidos por produzirem tons de pele naturais, cor ideal, grão mais fino e estão disponíveis em 35 mm, 120 (médio formato) e folhas de grande formato. As linhas Portra são conhecidas pela sua calidez natural (a Portra 160 tem subtons vermelhos e castanhos, enquanto a Portra 400 tem subtons laranja e amarelos). Isto significa que as cores serão reproduzidas de forma diferente de outros filmes, como a bem conhecida Fuji 400H. A diferença nota-se de forma mais evidente nos verdes. Os verdes nas linhas Portra tendem a ser mais quentes, enquanto os verdes na Fuji 400H são um pouco mais frios. Isto, claro, depende da situação de luz, mas costuma ser a regra geral.

 

A Kodak fez algum barulho há uns anos quando apresentou uma nova versão do filme Portra 400, que substituiu as versões NC (“natural color”) e VC (“vivid color”) no final de 2010. O novo filme incorporou uma número de avanços tecnológicos da linha Kodak Vision de filmes para cinema e, essencialmente, juntou as versões NC e VC. Os resultados do novo Portra 400 geraram muitos seguidores, embora talvez com alguma relutância no início. Hoje é elogiado pela sua latitude e pela tecnologia Vision-3. Um dos nossos exemplos favoritos das melhorias na linha Portra pode ver-se no blog do Jonathan Canlas, onde ele fotografou Portra 400, classificou-o a 3200 e puxou-o 3 pontos na revelação. Os resultados são espetaculares e encorajamos-te a para perceberes o quão flexível este filme é em situações de pouca luz. A linha Portra não só fez melhorias incríveis em tecnologia, como também a paleta de cores tornou esta série popular para retrato e trabalho editorial.

 

Expor Portra

Aqui ficam algumas orientações que usamos quando fotografamos estas emulsões e que achamos que expõem (trocadilho intencional!) cada uma na sua melhor luz. (Dica: se precisares de mais informação sobre exposição, recomendamos vivamente que leias (e vejas os resultados de alguns testes que fizemos) um artigo anterior que escrevemos sobre como a exposição afeta o filme. Esse artigo demonstra visualmente a latitude do filme a cores e deve ajudar a compreender o papel importante que a exposição tem ao fotografar em filme. )

Portra 160

Descobrimos que, com esta emulsão, as opiniões dividem-se: quem a experimentou ou a adora apaixonadamente ou a odeia apaixonadamente. No entanto, o consenso geral tende a ser que é uma excelente emulsão para retratos. Os tons de pele (seja pele clara ou escura) são suaves e naturais, e o grão do filme é extremamente fino. Porém, nós aqui na Carmencita achámos que a margem é estreita no quanto podes sobreexpor ou subexpor. Se a sobreexpones demasiado, fica com um aspeto muito semelhante ao Ektar, muito brilhante, com muito “punch”, e com tons de pele menos favorecedores. Também exige uma cena bem iluminada para fotografar. Por isso, se ainda não experimentaste esta emulsão e vês alguns dias de sol na previsão, recomendamos que compres uns rolos para experimentar !

 

Theresa Pewal Portra 160

Kodak Portra 160 por Theresa Pewal

Porta 400

Ahhhhhhhh Portra 400. O que é que não há para adorar? Esta emulsão é uma das mais usadas e mais completas do mercado quando se trata de situações de luz em mudança. É fotografada por quase toda a gente, desde fotógrafos de filme estabelecidos e bem conhecidos até fotógrafos de filme que estão agora a começar. Esta emulsão é um clássico no teu stock de filme e, francamente, não há uma única coisa que não se adore nela. A Portra 400 oferece cores excelentes; é rápida o suficiente para a grande maioria dos usos; e tem grão suficientemente fino para que a velocidade raramente se denuncie.

Além de tudo isto, é divertida, é fácil e, não menos importante, a latitude para sobre e subexposição é notável. Dá para fazer tudo com ela. Sobreexpor esta emulsão em dois pontos fica incrível (brilhante e colorido) e subexpor um ponto também fica bem (mais “mood” e com mais contraste). Tem em mente que, se expuseres a Portra 400 mais de dois pontos, o filme pode ficar um pouco mais amarelado do que o habitual, por isso sobreexpõe com cuidado. Esta emulsão também adora ser puxada. Aliás, se tiveres de escolher entre usar Portra 800 e Portra 400 num cenário, recomendamos usar Portra 400 e puxá-la, se for preciso. Ela vai adorar e nós também a adoramos por isso.

 

Leila Peterson ContaxT3 KodakPortra400

Kodak Portra 400 por Leila Peterson

Portra 800

Se te apanhares numa situação de sol e tiveres Portra 800 à mão, não vais ficar desiludido. Esta emulsão é divina se a sobreexpones, até mesmo em 4 pontos! Divina de outro mundo. As cores tendem a aproximar-se um pouco da Ektar (com “punch” e vibrantes), mas consegue manter tons de pele incríveis. No entanto, se a subexpones, não fica nada bonita. Fica rapidamente mais granulada e reproduz cores lamacentas. Mesmo puxá-la não a salva por completo. É essencial saber que a Portra 400 é baseada na tecnologia Vision 3, mas a Portra 800 não; é por isso que há diferenças grandes na forma como as duas lidam com subexposição.

Consequentemente, a marcação “ISO 800” é muitas vezes enganadora; embora certamente funcione a 800, não achamos que seja onde tem melhor desempenho. Na verdade, achamos que puxar a Portra 400 um ponto costuma dar resultados mais satisfatórios do que fotografar a Portra 800 à sua sensibilidade nominal.

 

Christophe Boussamba KodakPortra800

Kodak Portra 800 Christophe Boussamba

 

Puxar

Perceber quando puxar o filme é uma ferramenta incrível para teres no teu kit quando estás em situações de pouca luz ou quando queres um aspeto mais “punchy” nas tuas imagens. Na nossa experiência, a linha Portra da Kodak lida magnificamente com puxar quando é fotografada em ambientes bem iluminados. Por isso, vamos detalhar os resultados de cada uma quando são puxadas pelo teu laboratório.

(Podes ler mais sobre puxar filme num artigo que escrevemos há alguns anos.)

 

MaOrtiz Pentax67 KodakPortra400 puxado 1

Kodak Portra 400 puxada +1 ponto Ma Ortiz

Portra 160 e Portra 400

Tanto a Portra 160 como a Portra 400 são muito “puxáveis” num ambiente bem iluminado. A Portra 160 classificada a 320 e puxada um ponto é bastante incrível. A Portra 400 classificada a 800 e puxada um ponto também é igualmente ótima. Em ambas, os resultados de puxar vão aumentar o contraste nas tuas imagens, levantando as altas luzes e cortando detalhe nos pretos. Vai parecer mais brilhante por causa do contraste e das altas luzes mais fortes, por isso, se é esse o aspeto que procuras, perfeito! Mas tem em conta que não vais conseguir voltar a um aspeto de baixo contraste depois de puxado. Lembra-te também de que haverá efeitos secundários: aumento de grão, desvios de cor nas sombras e alguma perda geral de detalhe nas partes mais escuras da imagem. Um ISO mais alto não é de borla 😉

Puxar pode salvar o dia, com a condição de saberes o que estás a fazer; no entanto, se não souberes o que estás a fazer, os resultados de puxar vão ser pouco desejáveis. Tens alguma pergunta ou dúvida sobre puxar? Liga-nos e pergunta! Estamos sempre disponíveis para ajudar a responder às tuas questões e esclarecer quaisquer dúvidas!

(Dica: se estiveres numa situação de pouca luz e só tiveres Portra 400, classifica-a a 800 e pede ao teu laboratório para a puxar um ponto. Enquanto fotografas, tem em mente de onde vem a luz e como o teu sujeito está iluminado; aponta para as altas luzes e meios-tons e esquece as sombras.)

 

Garderes and Dohmen Contax645 KodakPortra160 puxado 1 CarmencitaFilmLab

Portra 160 puxada +1 ponto por Garderes and Dohmen

Portra 800

A Portra 800 foi criada para situações de pouca luz e é bastante útil para isso. No entanto, é a única da linha Portra que achamos ser a menos “puxável”, devido à tecnologia por trás dela. Como referimos antes, sentimos que a Portra 800 brilha mesmo quando é sobreexposta; ainda assim, também cumpre quando é classificada a 1250 e puxada um ponto.

 

Interior Linda 21

Kodak Portra 800 puxada 1 ponto Gema González

 

As paletas de cores de cada uma das linhas Portra variam de emulsão para emulsão. Mas, no geral, a linha Portra é conhecida por ter altas luzes ligeiramente amareladas, com uma transição para sombras ligeiramente azuladas. Em comparação com algumas emulsões da linha da Fuji, a linha Portra é conhecida por ter melhores amarelos, vermelhos e roxos; enquanto a Fuji tem melhores azuis, laranjas e magentas. Mas, nesta secção, vamos explicar facilmente cada emulsão da linha Portra para que possas ver a diferença por ti.

Portra 160

A Portra 160 é descrita como tendo uma paleta de cores natural, com baixa saturação e baixo contraste. Tem uma cor deslumbrante, nitidez e grão muito fino. Parece quase ideal para retrato, pois oferece tons de pele precisos e resultados consistentes quando exposta corretamente; já se fotografares com Ektar, podes obter tons de pele tipo tomate. Como a maioria dos filmes, a Portra 160 adora ser sobreexposta, mas não em excesso; e, se a subexpones, as sombras neste filme podem ter uma influência ligeiramente azulada.

Exemplos de Portra 160:

 

 

Portra 400

A Portra 400 à sensibilidade nominal tem um aspeto muito natural e neutro, mas também pode ficar quente, brilhante e saturada quando é sobreexposta. Este filme também lida lindamente com tons de pele, bem como com paisagens naturais, e, a ISO 400, é super útil em condições de luz em mudança. A Portra 400 tem uma paleta mais quente, enquanto a Fuji 400H tem uma paleta muito mais fria. A Portra 400 tende a ser mais amarela e a Fuji 400H puxa mais para o verde e torna os seus azuis mais turquesa. Mais uma vez, há muitas histórias urbanas sobre como cada filme fica no fim, e a verdade é que hoje em dia, se adicionares retoque a qualquer emulsão, podes fazê-la parecer muito diferente do que é naturalmente. Então, isso quer dizer que nunca vais ver uma foto quente feita em Fuji? Não. Só queremos dizer que a “calidez” pode ir mais para tons magenta do que para tons amarelos.

 

Exemplos de Portra 400:

 

Portra 800

A Portra 800 tem uma saturação mais alta e é ligeiramente mais granulada do que as suas “irmãs”, mas dá um baile quando se trata de condições de luz difíceis e cores fortes. As cores na Portra 800 têm uma intensidade maravilhosa e os pretos são muito ricos. É ideal para captar cores vivas e reproduz tons de pele tão cremosos que esta emulsão simplesmente derrete como manteiga no teu ecrã. Muitos fotógrafos adoram esta emulsão, sendo o seu único ponto negativo o preço.

(Algo a ter em mente: se fotografares Portra em 35 mm, haverá um aumento de grão e uma ligeira perda na profundidade de cor, mas se estiveres a fotografar em médio formato isso não importa assim tanto.)


Exemplos de Portra 800:

 

 

 

Sabemos que abordámos muita coisa neste artigo e, se chegaste até aqui, dá um “high five” à pessoa mais próxima! Esperamos que a informação que fornecemos te seja útil e, caso não consigas lembrar-te de tudo, aqui fica um resumo simpático de cada emulsão da linha Portra:

 

 

Portra 160

  • Baixa saturação
  • Grão extremamente fino
  • Contraste médio
  • Ideal para iluminação controlada
  • Menos flexível na exposição

Portra 400

  • Saturação média
  • Grão fino
  • Contraste médio
  • Ideal para a maioria das condições de luz
  • Muito “puxável”

 


Até agora, ainda não encontrámos um filme que não tenhamos adorado, e a linha Portra não é exceção. Entre a Portra 160, a Portra 400 e a Portra 800 tens várias opções para diferentes visuais e condições de luz. Cada emulsão da linha Portra é versátil, única à sua maneira e complementa-se com as outras. Se ainda não experimentaste uma (ou nenhuma!) da linha Portra, encomendar já uma e começa a disparar e a criar grandes imagens! Não vais ficar desiludido com a experiência e, certamente, não vais ficar desiludido com as imagens incríveis que vais criar!

Como fotógrafos de filme, achamos que é bom conhecer os prós e contras do teu ofício e as ferramentas e técnicas disponíveis. Dito isto, não te passes, boa luz vale o seu peso em ouro (ou, neste caso, em filme) e vai resultar incrivelmente em quase todas as emulsões. Isto não significa que, por escolheres uma emulsão em vez de outra, todas as tuas imagens vão ser ótimas. Depende muito da qualidade da luz com que tens de trabalhar.


Dito isto, acreditamos que cada emulsão tem a sua personalidade única e, quando isso se junta ao sentimento do teu trabalho, torna-se a combinação perfeita!

 

O mais importante, como sempre, é continuar a fotografar, continuar a brincar, continuar a puxar os limites e continuar a explorar! Tudo o que sabes e vives vai acabar por se traduzir e aparecer no teu próprio trabalho, e isso só o vai tornar mais interessante para quem o vê = )

 

 

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