Alguns Fotogramas c/ Nadia Meli
Estamos mesmo, mesmo felizes por finalmente podermos voltar a trazer o trabalho dos fotógrafos, juntamente com as suas palavras e o que vai por dentro sobre porque é que faz sentido para eles fotografar em filme. Com uma pequena seleção curada de alguns dos seus trabalhos. Há muitas razões pelas quais fotografamos em filme, e as que mais gostamos são as que são intangíveis, vêm do coração e transmitem um sentimento honesto.
Hoje, ao abrir a caixa de chocolates, temos a Nadia Meli. Uma amiga de longa data que, por alguma razão, acabamos por encontrar nos sítios mais aleatórios do mundo de vez em quando. Ela não é uma fotógrafa só de filme, nem precisa de o ser; sempre que conversamos com ela, vemos que a sua abordagem à fotografia é muito semelhante à nossa e ela continua a surpreender-nos com trabalho em filme de tempos a tempos.
Ela foi porreira o suficiente para dizer que sim à nossa proposta e dar o pontapé de saída a isto tudo. Pedimos-lhe que escrevesse umas linhas para nos contar qual é a história por trás desta viagem e, bem, ela superou as nossas expectativas.
Nas suas palavras:
“O Japão apanhou-me completamente de surpresa.
Fui convidada a ir lá em trabalho, no meu papel de embaixadora da Nikon, e foi a primeira vez que viajei para a Ásia. Não tinha muitas expectativas. O meu conhecimento do Japão limitava-se ao que tinha ouvido sobre ele na escola há um milhão de anos e ao que é retratado nos media.
Quando viajo, adoro sentir-me ligada, por isso odeio ficar em hotéis grandes e sentir-me uma turista. Se puder, prefiro ficar com pessoas locais e perder-me nas ruas.
Para ser honesta, esperava não encontrar essa ligação no Japão. Pelo que eu “sabia”, seria difícil ler as pessoas do Japão, sendo a cultura mais distante e educada.
Em retrospetiva, só me consigo rir de mim própria. É por isso que dizem que viajar muda tanto a vida e ensina: pega em todas as tuas ideias pré-concebidas e vira-as do avesso, atirando-as borda fora.
Encontrei ligações no Japão, em momentos e lugares onde não estava à espera. Descobri que as pessoas as desejavam, as procuravam e as davam livremente.
Encontrei tanta calorosidade e amor no Japão. Foi uma surpresa deliciosa e uma grande honra ter um vislumbre de quem são estas pessoas tão bonitas.
Dos 4 dias que passei a acampar no Monte Fuji à semana que passei em Tóquio — adorei tudo e não estava pronta para ir embora quando o meu avião descolou. O Japão vai, sem dúvida, voltar a ver-me.
Quando viajo, adoro fotografar em filme e nem sequer levo câmaras digitais comigo. Para trabalho, quero ser rápida e não pensar no que estou a fazer; preciso que as coisas corram sem ter de pensar duas vezes.
Mas, para as minhas fotos pessoais, só para mim, prefiro fotografar em filme porque faz o contrário: abranda-me, faz-me pensar mais do que duas vezes nas fotografias que estou a tirar. A fotografia em filme lembra-me de ver para além do óbvio e de olhar para os detalhes. Procurar as pequenas alegrias.”
– Nadia Meli
NOTA DO LAB
Com a Nadia, trabalhámos num perfil de cor próximo do seu trabalho habitual, ao mesmo tempo que mantínhamos esse sabor a filme. Foi digitalizado no Frontier, acrescentando alguma calorosidade à paleta de cores para criar uma vibe terrosa e acolhedora. Sabemos que cada fotógrafo é diferente e adoramos trabalhar com eles para desenvolver as cores que representam o seu estado de espírito.






























Leave a Reply
Want to join the discussion?Feel free to contribute!